Floresta Atlântica ao norte do rio São Francisco

 

 

Floresta Atlântica

É o segundo maior bloco de floresta na região neotropical, outrora cobrindo uma faixa contínua de terra ao longo da costa Atlântica brasileira e porções do Paraguai e da Argentina.

Atualmente , a floresta Atlântica é uma das 25 prioridades mundiais para conservação da diversidade biológica mundial - um hotspot da biodiversidade = áreas que abrigam mais de 60% das espécies terrestres do planeta , mas que representam apenas 11.7% de sua superfície terrestre .

floresta Atlântica abriga 8,567 espécies endêmicas entre 21.361 espécies de plantas vasculares , anfíbios , répteis, aves e mamíferos.

A floresta Atlântica ao norte do São Francisco corresponde a todas as porções desta floresta situadas entre Alagoas e Rio Grande do Norte , mais os encraves no Ceará.

stima-se que esta floresta cobria uma área de 76.938 km 2 , distribuída principalmente sobre as terras baixas da Formação Barreiras e os contrafortes do Planalto da Borborema ate 1000 m de altitude , formando uma pequena península florestal que representa o limite setentrional da floresta Atlântica.

 

 

 

 

Com base no mapa do IBGE (1985) a floresta ao norte do rio São Francisco é composta por cinco tipos florestais, entre eles a floresta ombrófila densa com apenas 7,9% da área original da floresta. As áreas de tensão ecológica , ou seja, áreas de contato entre floresta Atlântica e caatinga representam quase a metade da área supostamente coberta pela floresta Atlântica ao norte do rio São Francisco.

 

 

 

 


Floresta Atlântica ao norte do rio São Francisco

 

 

 

Tipos de vegetação que compõem a floresta Atlântica ao norte do rio São Francisco.

Tipos de vegetação

Área original (km 2 )

%

Formações pioneiras

4.739,06

6,1

Áreas de tensão ecológica

33.684,03

43,8

Fl. estacional semidecidual

17.677,5

22,9

Fl. ombrófila densa

6.122,01

7,9

Fl. ombrófila aberta

14.715,8

20,5

Total

76.938,4

100,0

 

Tipos de vegetação que compõem a floresta Atlântica ao norte do rio São Francisco.

Dentro destes cinco tipos ocorre a floresta de terras baixas (< 100 m de altitude ), a submontana (100- 600 m ) e a montana (> 600 m ), a qual inclui os encraves ou ' ilhas 'de floresta estacional semidecidual na região da caatinga - os brejos de altitude nordestinos.

Atualmente, poucos trechos da floresta ao norte do São Francisco possuem características originais , visto que o bloco florestal foi reduzido a arquipélagos de pequenos fragmentos florestais.

 

 

Riqueza de espécies e endemismos

 

 

Número de espécies encontradas em diferentes grupos biológicos na floresta Atlântica ao norte do Rio São Francisco.

Embora a floresta Atlântica ao norte do São Francisco represente pouco mais de 4% da área original de toda a floresta Atlântica , esta região abriga mais de 2/3 de todas as espécies e subespécies de aves que ocorrem nesta floresta e cerca de 8% da flora de plantas vasculares. Outros grupos, como répteis e anfíbios, apresentam também riqueza elevada. Parte desta riqueza é decorrente das relações históricas com a floresta Amazônica e com outros setores da floresta Atlântica brasileira. O número de endemismos é alto principalmente para as aves com 27 espécies/subespécies. Além disso, um réptil, quatro borboletas, dois moluscos gastrópodes, quatro anfíbios, onze árvores e dezesseis bromélias só ocorrem nesta região.  

Grupo biológico

No de espécies

Fonte

Abelhas Euglossini

32

Darrault et al . (no prelo)

Briófitas

400

KC Pôrto

Pteridófitas

350

Barros et al . (no prelo)

Bromélias

86

JA Siqueira Filho

Aves

484 esp./subesp.

SA Roda

Mamíferos

124

A Langguth

Borboletas

185

AVL Freitas

Répteis e anfíbios

96

EMX Freire

Plantas vasculares

> 1.500

M Tabarelli

 

Conservação

Evitar perda de espécies em biotas extremamente fragmentadas é possível através da implementação de " corredores de biodiversidade ". De forma muita sucinta , o corredor pode ser descrito como um conjunto de áreas protegidas públicas e particulares , conectadas através de corredores florestais em escala regional , imerso em uma matriz de uso múltiplo do solo que seja pouco agressiva à diversidade biológica. Assim , várias categorias de uso da terra compõem o esforço de conservação de um corredor , dentre elas : parques , reservas públicas ou privadas , terras indígenas , além de propriedades que praticam sistemas agroflorestais ou ecoturismo.

O corredor representa a unidade básica de planejamento de conservação da diversidade biológica em escala regional . A estratégia de corredores vem sendo adotada por governos e instituições que trabalham com a conservação da biodiversidade como forma de vencer o isolamento das áreas protegidas, garantindo o trânsito de espécies por um mosaico de unidades ambientalmente sustentáveis e evitando que as áreas protegidas atinjam um estado de sítio.

Outro conceito importante para uma estratégia de conservação em escala regional refere-se ao nível de substituição dos sítios. Alguns sítios abrigam as únicas populações conhecidas de espécies ameaçadas de extinção e, desta forma , tais sítios não têm substitutos em nenhuma escala espacial e deveriam compor as áreas nucleares dos corredores de biodiversidade .

 

Veja as estratégias de conservação para o Centro Pernambuco no Projeto Corredor de Biodiversidade do Nordeste .